Receber pagamento do exterior como PJ: Wise, Husky ou banco?
Como receber pagamento do exterior como PJ em 2026: compare Wise, Husky, Remessa Online e banco pelo VET, veja o IOF zero e um exemplo com fatura de US$ 5 mil.
Resposta rápida
- Para receber pagamento do exterior como PJ, use a conta do CNPJ e uma instituição autorizada pelo Banco Central.
- Em 2026, o IOF sobre o ingresso de receita de exportação de serviços é zero (Decreto 6.306/2007, art. 15-B, I).
- Compare Wise, Husky, Remessa Online, TechFX e banco pelo VET. Numa fatura de US$ 5 mil, pelas tarifas divulgadas em 28/10/2026, o custo vai de R$ 133 a R$ 347 conforme o canal.
Para receber pagamento do exterior como PJ, o dinheiro entra na conta do CNPJ por uma instituição autorizada pelo Banco Central. O câmbio sai em nome da empresa. Com a operação classificada como exportação de serviço, o IOF é zero. Entre Wise, Husky, Remessa Online, TechFX e banco, quem decide é o VET do dia: quantos reais chegam por dólar faturado.
Qual a forma certa de receber pagamento do exterior como PJ?
Pela Lei 14.286/2021 (art. 3º), em 2026 só instituição autorizada pode fazer câmbio. Para a PJ, o caminho certo é receber na conta da empresa, com o câmbio fechado em nome do CNPJ. Assim, o registro documenta que a receita veio de fora.
Contrato de câmbio é o registro da troca de moeda estrangeira por reais. Ingresso de divisas é a entrada efetiva dessa moeda no país.
As leis do PIS e da Cofins afastam as contribuições sobre serviço prestado a quem mora fora. A regra está na Lei 10.637/2002 (art. 5º, II) e na Lei 10.833/2003 (art. 6º, II). Como condição, elas pedem que o pagamento represente ingresso de divisas. Já no Simples, a LC 123/2006 separa a receita de exportação e tira PIS, Cofins e ISS da guia mensal.
Evite pedir para o cliente pagar na conta pessoa física: a nota sai no CNPJ, mas o comprovante de câmbio fica no CPF. A lógica completa do imposto está no post sobre imposto ao prestar serviço para o exterior.
Wise, Husky, Remessa Online ou banco: quanto cada um cobra?
Nos sites consultados em 28/10/2026, a Wise divulga US$ 6,11 por wire e conversão a partir de 0,4%. A Husky divulga até 1% acima de US$ 1.000, e a TechFX, 0,5%. A Remessa Online divulga a partir de 1,3%. Nenhum canal publica um custo único para receber pagamento do exterior como PJ.
Correspondente cambial é a empresa contratada por um banco autorizado para oferecer o câmbio dele. Na prática, o banco fecha a operação. Husky, Remessa Online e TechFX se apresentam assim.
| Canal | Como se apresenta | Tarifa divulgada (28/10/2026) | Limitações |
|---|---|---|---|
| Wise | Conta empresarial própria | R$ 250, uma vez, para criar a conta; US$ 6,11 por wire ou SWIFT recebido; recebimento doméstico em dólar gratuito; conversão a partir de 0,4%, varia por moeda | Só empresa com um dono de 100%; envio para reais até o equivalente a US$ 10.000 por transferência |
| Husky | Correspondente cambial do Ouribank | Até 1% acima de US$ 1.000; US$ 10 fixos até US$ 1.000 | Tarifas do banco do cliente e de intermediários à parte |
| TechFX | Correspondente cambial do Banco Travelex | 0,5% na conversão, sem tarifa fixa por operação; 0,1% nos dois primeiros recebimentos pelo link da Conte | Tarifas do banco do cliente e de intermediários à parte |
| Remessa Online | Correspondente cambial do Banco Topázio | A partir de 1,3% de custo operacional | Cita tarifa do sistema bancário sem valor; pagamento em até 2 dias úteis após o fechamento |
| Banco | Instituição autorizada | Tarifa por ordem recebida mais a margem no câmbio; varia por banco | Peça a tabela de tarifas PJ e o VET antes de fechar |
“A partir de” e “até” não são o custo do seu dia. Pelas tarifas divulgadas, Wise e TechFX ficam próximas em wires de alguns milhares de dólares. A tarifa fixa da Wise se dilui com o valor, e ela passa à frente acima de cerca de US$ 6 mil, se a empresa tem um único dono. Acima de US$ 10.000, porém, a conversão da Wise para reais exige mais de uma transferência. Já em faturas de até US$ 1.000, a tarifa fixa da Husky pesa mais: US$ 10 sobre US$ 500 é 2%.
Antes de escolher, peça por escrito: o câmbio sai em nome do CNPJ? Qual instituição autorizada pelo Banco Central fecha a operação?
Quem abre conta pela página da TechFX para clientes Conte paga 0,1% nos dois primeiros recebimentos, segundo a própria página em 28/10/2026. Depois, vale a taxa de 0,5%. Compare o VET dela com o de outro canal, como faria com qualquer um.
Como comparar o custo real: o que é VET?
A Resolução BCB 277/2022 (art. 18), válida em 2026, obriga a instituição a informar o VET antes de fechar o câmbio. A regra vale para câmbio à vista de até US$ 100 mil. O VET junta taxa, tarifas e tributos num número só. Por isso, é a forma mais justa de comparar canais.
VET (Valor Efetivo Total) é quanto você recebe, em reais, por unidade de moeda estrangeira, já descontado tudo. A conta:
VET = reais que caíram na conta da PJ ÷ dólares faturados
Spread é a diferença entre a cotação que a instituição usa e a cotação de mercado. Por exemplo, um canal pode anunciar “sem spread” e cobrar tarifa maior, ou o contrário. Então o VET mostra o efeito das duas coisas juntas.
Como régua, use a PTAX. PTAX é a cotação do dólar divulgada pelo Banco Central, com valor de compra e de venda. O BCB também mantém um ranking do VET, com dados de meses anteriores.
Quanto chega de uma fatura de US$ 5 mil? Exemplo com números de 2026
Com a PTAX de compra de 27/10/2026 (R$ 5,3340), uma fatura de US$ 5.000 vale R$ 26.670,00 de referência. Com as tarifas divulgadas, o custo vai de R$ 133,35 na TechFX e R$ 139,14 na Wise a R$ 346,71 na Remessa Online. No banco, depende da cotação.
A conta parte de duas hipóteses, porque cada site divulga um formato. Primeiro, o câmbio comercial do dia é igual à PTAX de compra. Depois, Wise e Remessa Online cobram o menor valor que divulgam, a Husky cobra o 1% da tabela e a TechFX, os 0,5% sem o desconto de boas-vindas.
- Wise: (US$ 5.000 − US$ 6,11) × 5,3340 × (1 − 0,4%) = R$ 26.530,86
- Husky: US$ 5.000 × 5,3340 × (1 − 1%) = R$ 26.403,30
- Remessa Online: US$ 5.000 × 5,3340 × (1 − 1,3%) = R$ 26.323,29
- TechFX: US$ 5.000 × 5,3340 × (1 − 0,5%) = R$ 26.536,65
| Canal | Reais que chegam | Custo contra a PTAX | Custo em % | VET |
|---|---|---|---|---|
| TechFX | R$ 26.536,65 | R$ 133,35 | 0,50% | 5,3073 |
| Wise | R$ 26.530,86 | R$ 139,14 | 0,52% | 5,3062 |
| Husky | R$ 26.403,30 | R$ 266,70 | 1,00% | 5,2807 |
| Remessa Online | R$ 26.323,29 | R$ 346,71 | 1,30% | 5,2647 |
| Banco | Peça o VET | Depende da cotação | Depende | Peça antes |
Os 0,4% da Wise são o piso geral de conversão, não um número específico do dólar para o real. A calculadora da Husky também mostrou 1,2% no dia, o que daria R$ 26.349,96. Entre TechFX e Wise, a diferença aqui é de R$ 5,79. Assim, a ordem entre os canais pode mudar na sua cotação.
Ficam fora os R$ 250 da Wise, a tarifa bancária da Remessa Online e o que o banco do cliente e os intermediários descontam. Por isso, o valor que cai na conta pode ficar abaixo do calculado.
Depois do câmbio, vem o imposto. DAS é a guia única mensal do Simples Nacional. Pró-labore é a remuneração mensal do sócio pelo trabalho. Fator R é a folha, com pró-labore, dividida pela receita de 12 meses. Anexo III é a tabela do Simples onde a TI fica quando o Fator R chega a 28%.
Pela LC 123 (art. 18, § 4º-A, IV, e § 14), a receita de exportação sai sem PIS, Cofins e ISS. Ficam IRPJ, CSLL e CPP, que somam 50,9% da alíquota nas duas primeiras faixas do Anexo III, pela LC 155/2016.
Por exemplo, no Anexo III, quem fatura US$ 5 mil por mês tem receita de R$ 320.040 em 12 meses (na mesma cotação), na segunda faixa.
- Alíquota efetiva da faixa: (R$ 320.040 × 11,2% − R$ 9.360) ÷ R$ 320.040 = 8,28%
- Alíquota sobre a exportação: 8,28% × 50,9% = 4,21%
- DAS sobre R$ 26.670,00: R$ 1.123,38
- Mesma receita vendida no Brasil: R$ 2.207,04
Os valores em reais usam as alíquotas sem arredondar (8,2754% e 4,2122%).
Na primeira faixa, com receita de até R$ 180 mil em 12 meses, a conta dá 6% × 50,9% = 3,05%. O post sobre Fator R e Anexo III explica o pró-labore necessário. A calculadora da Conte simula com o seu faturamento.
Paga IOF para receber do exterior na PJ?
Não. Em 2026, o Decreto 6.306/2007 (art. 15-B, inciso I) fixa em zero o IOF do câmbio de receita de exportação de serviços. Os decretos de 2025 (12.466, 12.467 e 12.499) mudaram outros incisos, mas não o I.
Se aparecer IOF, revise a classificação. Pela Resolução BCB 277 (art. 4º), a instituição entrega os códigos de finalidade, e escolher o código certo é responsabilidade do cliente. Uma operação classificada com outra finalidade pode cair na alíquota geral.
Nos atendimentos, quando aparece IOF num recebimento de exportação, a gente começa pela finalidade do câmbio, antes de mexer na nota. O ajuste pode ficar só no câmbio.
Se aconteceu com você, peça a revisão à instituição e avise o seu contador.
Posso deixar o dinheiro em dólar lá fora?
Pode. A Lei 11.371/2006 (art. 1º, com a redação da Lei 14.286/2021) permite, em 2026, manter no exterior os recursos de exportação de serviços. O art. 10 diz que, nesse caso, a não incidência de PIS e Cofins independe do ingresso de divisas.
Na prática, o cuidado está na declaração. Pelo art. 8º, quem mantém os recursos lá fora declara à Receita Federal o uso desse dinheiro, e a PJ registra tudo na contabilidade. O art. 9º prevê multa de 10% sobre valores mantidos em desacordo com o art. 1º. Para quem não informa, a multa é de 0,5% ao mês, limitada a 15%.
A LC 214/2025, da reforma tributária, revoga esse art. 10 a partir de 1º/1/2027. Combine com o contador antes de deixar receita lá fora.
A Resolução BCB 575/2026, em vigor desde 1º/10/2026, confunde muita gente. Ela abriu a conta em moeda estrangeira no Brasil para pessoas jurídicas exportadoras de bens. Exportar serviço, sozinho, não dá direito a essa conta.
Para montar uma reserva em dólar, veja o post sobre gestão financeira da PJ que recebe do exterior.
Que documentos guardar a cada recebimento?
A LC 116/2003 (art. 2º, I) afasta o ISS sobre exportação de serviços, regra que segue valendo em 2026. Porém, a exceção, no parágrafo único, é o serviço cujo resultado se verifica no Brasil. Para sustentar a não incidência de ISS, PIS e Cofins, guarde cinco documentos por recebimento, numa pasta por mês.
- Contrato com o cliente, mostrando que ele está fora e usa o resultado do serviço lá.
- Invoice em moeda estrangeira, com o mesmo valor e período da nota.
- NFS-e de exportação, com conversão por um critério fixo. Veja os erros comuns em nota fiscal internacional.
- Contrato ou comprovante de câmbio em nome do CNPJ, com IOF zero e finalidade de exportação de serviço.
- Extrato da conta PJ mostrando a entrada em reais.
Se um desses faltar, a não incidência fica difícil de provar numa fiscalização.
Próximo passo
Antes do próximo pagamento do exterior, peça o VET do dia a dois canais e compare com a tabela acima. Para escolher o canal e emitir a nota certa, a equipe da Conte atende PJ que recebe de fora. Veja como funciona a contabilidade para quem recebe do exterior.
Perguntas frequentes
Qual o melhor canal para receber pagamento do exterior como PJ?
Depende do valor e da empresa. Pelas tarifas divulgadas em 28/10/2026, Wise e TechFX ficam próximas: a TechFX sai mais barata em wires menores, e a Wise passa à frente acima de cerca de US$ 6 mil. A Wise só aceita empresa de dono único. Peça o VET a dois canais no mesmo dia.
Posso receber o pagamento do cliente de fora na minha conta pessoa física?
Não é o caminho indicado. O serviço foi prestado pela PJ, e a nota de exportação sai no CNPJ. Se o dinheiro cai na conta pessoal, a empresa fica sem o comprovante de câmbio e com dificuldade para justificar o valor como receita da PJ. Receba na conta da PJ e retire como pró-labore ou lucro.
Payoneer ou Deel servem para quem tem CNPJ?
Servem para o cliente pagar, mas não resolvem a contabilidade. A página de preços da Deel, em 28/10/2026, mostra planos para quem contrata e não mostra tarifa de saque do contratado. Antes de usar, confirme se a conversão para reais sai em nome do CNPJ e peça o VET.
Qual cotação usar na nota fiscal de exportação?
Não encontramos regra oficial que fixe uma cotação específica para a nota de exportação de serviço no Simples. Funciona um critério fixo e documentado, combinado com o contador. Um exemplo comum é usar a taxa do contrato de câmbio na data do recebimento, sempre do mesmo jeito.
Fontes
- Planalto, Decreto nº 6.306/2007, art. 15-B (consultado em 2026-10-28)
- Planalto, Lei nº 14.286/2021, art. 3º e art. 26 (consultado em 2026-10-28)
- Banco Central do Brasil, Resolução BCB nº 277/2022 (consultado em 2026-10-28)
- Planalto, Lei nº 10.833/2003, art. 6º (consultado em 2026-10-28)
- Planalto, Lei nº 10.637/2002, art. 5º (consultado em 2026-10-28)
- Planalto, Lei Complementar nº 123/2006, art. 18 (consultado em 2026-10-28)
- Planalto, Lei Complementar nº 155/2016, Anexo III (consultado em 2026-10-28)
- Planalto, Lei Complementar nº 116/2003, art. 2º (consultado em 2026-10-28)
- Planalto, Lei nº 11.371/2006, arts. 1º, 8º, 9º e 10 (consultado em 2026-10-28)
- Planalto, Lei Complementar nº 214/2025, art. 542, XXXV (consultado em 2026-10-28)
- Banco Central do Brasil, Resolução BCB nº 575/2026 (consultado em 2026-10-28)
- Banco Central do Brasil, PTAX do dólar em 27/10/2026, serviço Olinda (consultado em 2026-10-28)
- Banco Central do Brasil, Ranking do VET (consultado em 2026-10-28)
- Wise, Preços para empresas (consultado em 2026-10-28)
- Wise, Tarifas para receber dinheiro (consultado em 2026-10-28)
- Wise, Abrir uma conta Wise para sua empresa brasileira (consultado em 2026-10-28)
- Husky, Quanto custa (consultado em 2026-10-28)
- Remessa Online, Receber dinheiro por serviços prestados ao exterior (consultado em 2026-10-28)
- Deel, Preços (consultado em 2026-10-28)
- TechFX, Benefício para clientes Conte Contabilidade (consultado em 2026-10-28)
- TechFX, Página inicial e aviso de correspondente cambial do Banco Travelex (consultado em 2026-10-28)